A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 (ano-base 2025) segue como uma das principais apostas da Receita Federal para simplificar o envio das informações pelos contribuintes. No entanto, apesar dos avanços, a ferramenta ainda apresenta inconsistências que têm gerado dúvidas e preocupações, especialmente nas redes sociais.
A principal mudança estrutural por trás desses erros está na substituição da antiga DIRF pelas bases do eSocial e da EFD-Reinf. Embora mais modernas, essas fontes ainda estão em fase de adaptação por parte das empresas, o que impacta diretamente a qualidade dos dados disponibilizados na pré-preenchida.
Na prática, isso significa que o sistema pode importar informações incompletas, desatualizadas ou incorretas, já que não há uma validação prévia aprofundada antes da disponibilização ao contribuinte. Assim, a responsabilidade pela conferência e correção continua sendo integralmente do declarante.
Erros mais comuns na pré-preenchida no IRPF 2026
Entre os principais problemas relatados pelos contribuintes, destacam-se:
- Diferenças em rendimentos de trabalho: valores de salários, benefícios e auxílios informados por empresas podem não bater com os informes recebidos;
- Despesas médicas inconsistentes: mesmo com a integração de dados via Receita Saúde, há registros incompletos ou divergentes;
- Saldos bancários zerados ou incorretos: contas e aplicações podem aparecer com valores errados ou ausentes;
- Dados de dependentes desatualizados: inclusão ou exclusão incorreta de dependentes;
- Informações de investimentos divergentes: especialmente em renda variável, incluindo retenções na fonte;
- Bens e direitos incompletos: imóveis, veículos ou outros patrimônios podem não aparecer ou estar desatualizados.
Além disso, como a base inclui dados enviados por diversas fontes — como empresas, instituições financeiras, planos de saúde e declarações anteriores — qualquer erro na origem é refletido automaticamente na pré-preenchida.
Novidades também exigem atenção
A versão de 2026 trouxe novas informações incorporadas automaticamente, como:
- DARFs pagos ao longo de 2025;
- Dados de operações em renda variável, incluindo day trade;
- Informações oriundas de plataformas de apuração de investimentos.
Apesar de representarem avanços, essas inclusões aumentam a complexidade da conferência e exigem ainda mais atenção por parte do contribuinte.
O que não aparece na pré-preenchida
Nem todas as informações são contempladas automaticamente. Entre os dados que ainda precisam ser preenchidos manualmente, estão:
- Ganho de capital na venda de bens (como imóveis e veículos);
- Rendimentos de atividade rural;
- Rendas extras, como trabalhos autônomos;
- Despesas dedutíveis não informadas por terceiros;
- Aquisição recente de bens ainda não reportados;
- Rendimentos de dependentes.
Ou seja, confiar exclusivamente na pré-preenchida pode resultar em omissões relevantes.
Como evitar problemas com a Receita
O contribuinte deve utilizar a pré-preenchida apenas como ponto de partida — nunca como versão final da declaração.
A recomendação é clara: priorizar os dados dos informes de rendimentos recebidos de empresas, bancos e demais fontes pagadoras. Esses documentos são a principal garantia em caso de questionamentos futuros.
Caso sejam identificadas divergências, é fundamental corrigir manualmente antes do envio. Isso porque eventuais inconsistências podem levar à malha fina — e as penalidades recaem diretamente sobre o contribuinte, mesmo que o erro tenha origem em terceiros.













