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ESCALA 6X1

Votação do fim da escala 6x1 é adiada após pedido de vista na CCJ

PEC que prevê redução gradual da jornada de trabalho e fim da escala 6x1 teve análise suspensa na CCJ; governo também apresentou projeto com mudanças imediatas na jornada semanal

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Fim da escala 6x1: votação é adiada na CCJ após pedido de vista

Votação do fim da escala 6x1 é adiada após pedido de vista na CCJ Jonas Pereira/Agência Senado

A análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal, foi adiada nesta quarta-feira (15) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, após pedido de vista apresentado por parlamentares. A medida impacta diretamente relações de trabalho em todo o país e pode gerar reflexos operacionais e financeiros para empresas e profissionais da contabilidade.

O adiamento ocorre em meio à tramitação paralela de um projeto de lei enviado pelo governo federal com urgência constitucional, que trata da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto precisa ser analisado pelo Congresso em até 45 dias, sob pena de trancar a pauta de votações da Câmara.

PEC propõe redução gradual da jornada para 36 horas

O relator da proposta na CCJ, deputado Paulo Azi, apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC, entendendo que o texto não fere a Constituição. A proposta prevê, além do fim da escala 6x1, a redução progressiva da jornada semanal para 36 horas ao longo de um período de dez anos.

Com o pedido de vista dos deputados Lucas Redecker e Bia Kicis, a votação foi suspensa temporariamente para análise mais detalhada do relatório.

Projeto do governo acelera debate sobre jornada de trabalho

Paralelamente à PEC, o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional que propõe mudanças mais imediatas, incluindo o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais.

Segundo o deputado Rubens Pereira Júnior, as duas propostas podem tramitar de forma complementar. Já a PEC, de autoria do deputado Reginaldo Lopes e apensada ao texto da deputada Erika Hilton, tem como objetivo consolidar as mudanças em nível constitucional.

Impactos para empresas e rotina contábil

A eventual redução da jornada de trabalho pode trazer impactos relevantes para a gestão empresarial e a rotina dos escritórios contábeis. Entre os principais pontos de atenção estão:

  1. Revisão da folha de pagamento: redução de jornada sem diminuição proporcional de salários pode elevar o custo por hora trabalhada;
  2. Encargos trabalhistas: possíveis reflexos em INSS, FGTS, férias e 13º salário;
  3. Reorganização de escalas: empresas poderão precisar adotar novos turnos ou ampliar equipes para manter a produtividade;
  4. Negociações coletivas: ajustes em convenções e acordos trabalhistas tendem a ganhar relevância.

Esses fatores exigem acompanhamento próximo por parte dos profissionais contábeis, especialmente em setores com operação contínua ou alta dependência de mão de obra.

Diferença entre PEC e projeto de lei

Embora tratem do mesmo tema, as propostas possuem naturezas e efeitos distintos:

  1. PEC 221/2019: propõe alteração na Constituição para extinguir a escala 6x1 e reduzir a jornada semanal de forma gradual até 36 horas, ao longo de um período de até dez anos;
  2. Projeto de lei do Executivo: prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, com aplicação mais imediata, mas ainda depende de aprovação do Congresso e sanção presidencial.

A tramitação simultânea pode acelerar o debate, mas também exige atenção quanto às regras que efetivamente serão aprovadas.

O que empresas e contadores devem acompanhar

Diante do cenário, especialistas recomendam que empresas e profissionais da contabilidade monitorem:

  1. o andamento da PEC na CCJ e nas próximas fases legislativas;
  2. a votação do projeto de lei em regime de urgência;
  3. possíveis mudanças nas regras de jornada e seus efeitos contratuais;
  4. necessidade de replanejamento financeiro e operacional.

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ainda está em fase inicial no Congresso, mas já sinaliza mudanças que podem impactar diretamente a estrutura de custos e a organização do trabalho nas empresas brasileiras.

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