Profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ) no mercado corporativo brasileiro seguem preferindo o modelo de trabalho pela flexibilidade e possibilidade de renda maior, mas demonstram preocupação crescente com benefícios como plano de saúde e Previdência Social. Pesquisa divulgada neste mês pela Hero Company, em parceria com a Opinion Box, revelou que trabalhadores PJ desejam maior proteção financeira e benefícios tradicionalmente associados ao regime CLT, principalmente diante da alta dos custos médicos e da insegurança sobre aposentadoria.
O levantamento ouviu 306 profissionais de todas as regiões do país que atuam como PJ em setores como tecnologia, marketing, comunicação, consultoria e gestão.
Segundo os dados, sete em cada dez entrevistados afirmaram ter escolhido ou negociado esse modelo de contratação, enquanto 79% disseram sentir falta de plano de saúde vinculado ao trabalho e 60% gostariam de receber algum tipo de contribuição previdenciária das empresas contratantes.
A pesquisa aponta que o modelo PJ continua atraindo profissionais pela autonomia, liberdade contratual e possibilidade de ganhos líquidos maiores em comparação ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
No entanto, a ausência de benefícios corporativos tradicionais aparece como um dos principais fatores de preocupação entre trabalhadores especializados.
Atualmente, apenas 34% dos entrevistados recebem algum benefício adicional além da remuneração principal. Entre os benefícios oferecidos pelas empresas estão vale-refeição, treinamentos, bônus, coworking e descanso remunerado. O plano de saúde, porém, aparece em apenas 6% dos contratos analisados.
Custos com saúde e aposentadoria preocupam
A preocupação com saúde e Previdência Social ganhou força principalmente após os aumentos sucessivos dos planos de saúde e o crescimento da pejotização em áreas corporativas.
No modelo PJ, o profissional precisa arcar individualmente com despesas como contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), previdência privada, férias não remuneradas e assistência médica.
Especialistas em relações de trabalho avaliam que muitos profissionais passaram a perceber que a renda maior do modelo PJ nem sempre compensa a ausência de proteção financeira de longo prazo.
Segundo projeções do setor de saúde suplementar citadas pela Folha de S.Paulo, os planos de saúde coletivos devem registrar reajustes entre 8% e 11% em 2026.
A pesquisa também mostrou que 87% dos entrevistados acreditam que oferecer benefícios aos profissionais PJ pode reduzir riscos trabalhistas para as empresas contratantes.
Empresas começam a adaptar modelo PJ
Com a disputa por profissionais qualificados, especialmente no setor de tecnologia, algumas empresas passaram a oferecer benefícios flexíveis para trabalhadores PJ.
Entre as alternativas adotadas estão auxílio-saúde, bônus para previdência privada, apoio psicológico, programas de bem-estar e períodos de descanso negociados em contrato.
Especialistas afirmam que esse movimento representa uma tentativa de equilibrar flexibilidade contratual com maior segurança para os trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o avanço da contratação PJ mantém discussões jurídicas sobre pejotização e vínculo empregatício. O Supremo Tribunal Federal (STF) continua analisando ações relacionadas à legalidade desse tipo de contratação em determinados setores.
Mesmo com o debate jurídico, especialistas avaliam que o modelo PJ deve continuar crescendo no mercado corporativo brasileiro, principalmente entre profissionais que priorizam autonomia e múltiplas fontes de renda.
A pesquisa indica, porém, que a busca por flexibilidade não eliminou a preocupação dos trabalhadores com estabilidade financeira, aposentadoria e acesso à saúde, temas que seguem no centro das discussões sobre o futuro das relações de trabalho no país.
Com informações Folha de São Paulo













