O Brasil criou 85.888 empregos formais em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar do saldo positivo, o resultado ficou bem abaixo das projeções do mercado financeiro e marcou o pior desempenho do ano até agora.
O resultado de abril foi resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo representa a diferença entre 2,26 milhões de admissões e 2,18 milhões de desligamentos registrados no mês.
Resultado é o mais fraco do ano
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, abril registrou o menor saldo mensal de geração de empregos formais em 2026.
Na comparação com abril do ano passado, a desaceleração foi expressiva. O volume de vagas criadas caiu mais de 60% em relação ao mesmo período de 2025.
Analistas apontam que os juros elevados, o crédito mais caro e a perda gradual de ritmo da atividade econômica começam a impactar diretamente o mercado de trabalho formal.
Serviços seguram saldo positivo
O setor de Serviços foi o principal responsável pela abertura de vagas no mês, com saldo positivo de aproximadamente 69 mil postos de trabalho.
Também tiveram desempenho positivo, a construção civil, seguido da indústria e parte das atividades ligadas à saúde e transporte.
Por outro lado, Comércio e Agropecuária registraram mais demissões do que contratações em abril.
No comércio, especialistas relacionam a queda ao aumento do endividamento das famílias e à desaceleração do consumo. Já na agropecuária, o resultado negativo foi influenciado pelo encerramento de safras temporárias.
Mercado vê desaceleração gradual da economia
Economistas avaliam que os números do Caged reforçam os sinais de desaceleração gradual da economia brasileira em 2026.
Embora o mercado de trabalho continue positivo no acumulado do ano, o ritmo de criação de vagas perdeu força nos últimos meses.
Entre janeiro e abril, o país acumula cerca de 699 mil empregos formais criados, volume inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A leitura predominante entre analistas é que os efeitos da política monetária restritiva começam a atingir setores mais dependentes de crédito, consumo e investimentos.
Desaceleração do emprego formal impulsiona avanço dos MEIs
Ao mesmo tempo em que a geração de empregos formais perdeu força, o país registrou avanço expressivo na formalização de microempreendedores individuais (MEIs). Dados recentes do Sebrae, com base em informações da Receita Federal, mostram que os MEIs responderam por 78% das novas empresas abertas entre janeiro e abril de 2026. Especialistas avaliam que o movimento reflete a busca de trabalhadores por alternativas de renda diante da desaceleração nas contratações com carteira assinada, impulsionando setores como entregas, transporte, serviços digitais e atividades autônomas.
Empresas acompanham cenário com cautela
O resultado abaixo do esperado também aumenta a atenção de empresários e profissionais de contabilidade sobre o comportamento da economia no segundo semestre.
Setores ligados ao varejo, consumo e serviços operacionais podem sentir maior dificuldade para contratação caso a desaceleração econômica se intensifique nos próximos meses.
Mesmo assim, especialistas ressaltam que o saldo ainda permanece positivo e que o mercado de trabalho brasileiro segue relativamente resiliente diante do cenário de juros elevados e desaceleração global.
Com informações da Agência Brasil













