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BC prepara mudanças no Pix para reforçar segurança contra golpes

Sistema movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025 e terá estudos sobre split tributário, Pix internacional, duplicatas e segurança.

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Pix deve ganhar novas funções

BC prepara mudanças no Pix para reforçar segurança contra golpes

O Pix deve ganhar novas funcionalidades nos próximos anos, segundo o Banco Central (BC). Os dados fazem parte do Relatório de Gestão do Pix 2023–2025, divulgado pelo BC nesta segunda-feira (10), quando o sistema de pagamentos instantâneos completou cinco anos de operação.

O volume financeiro movimentado pelo Pix em 2025 foi de R$ 35,36 trilhões, um crescimento de 33,6% em relação a 2024, quando as transações somaram R$ 26,46 trilhões. Além da evolução no uso da ferramenta, o Banco Central apresentou no relatório iniciativas em desenvolvimento e estudos que podem ampliar as possibilidades de utilização do sistema.

Entre os projetos estão a cobrança híbrida, o uso do Pix para quitação de duplicatas, o chamado split tributário, relacionado à Reforma Tributária, e alternativas para utilização do Pix em operações internacionais e como instrumento de garantia.

O BC também informou que discute medidas para coibir o uso inadequado do campo de descrição das transferências e trabalha na possível padronização dos alertas emitidos por instituições financeiras diante de transações consideradas suspeitas.

Pix alcança R$ 35,36 trilhões em movimentações

O resultado registrado em 2025 representa um novo recorde para o sistema de pagamentos instantâneos. Em comparação com o ano anterior, o valor movimentado aumentou R$ 8,9 trilhões.

A evolução ocorre após a incorporação de diferentes modalidades ao ecossistema do Pix desde seu lançamento. Entre as funcionalidades implementadas ao longo dos anos estão o Pix Cobrança, Pix Saque, Pix Agendado e Pix por Aproximação.

Para empresas, a ampliação das funcionalidades representa mudanças nas possibilidades de recebimento, cobrança e movimentação financeira por meio do sistema. O Pix já é utilizado em operações comerciais e pode ser integrado a diferentes processos de pagamento.

A agenda apresentada pelo Banco Central indica que o desenvolvimento do sistema deve continuar nos próximos anos, com projetos voltados tanto à ampliação dos casos de uso quanto ao aprimoramento da segurança das transações.

Quais novidades podem chegar ao Pix

Entre as iniciativas em desenvolvimento está a cobrança híbrida, que combina elementos do Pix com mecanismos tradicionais de cobrança. O Banco Central também estuda a utilização do sistema para o pagamento de duplicatas.

Outro projeto é o split tributário, relacionado à implementação da Reforma Tributária. A proposta está entre os temas discutidos no âmbito do Fórum Pix e pode envolver a separação e o direcionamento de valores relacionados à operação e aos tributos.

A agenda também contempla a possibilidade de ampliar o uso do Pix em operações internacionais. O BC avalia conexões com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições, tanto por meio de conexões bilaterais quanto de estruturas multilaterais.

Também aparece entre as frentes de evolução o Pix em garantia, que está sendo estudado pelo Banco Central. Esses projetos, entretanto, possuem diferentes níveis de desenvolvimento e não representam funcionalidades já disponíveis para todos os usuários.

BC discute uso do campo de mensagens do Pix

Além das novas funcionalidades, o Banco Central passou a discutir o uso inadequado do campo destinado à descrição das transações.

Segundo a autoridade monetária, o espaço foi criado para que o pagador registrasse informações objetivas relacionadas ao pagamento. Entretanto, o BC identificou situações em que o campo passou a ser utilizado para o envio de mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, inclusive associadas a transferências de valores reduzidos.

Diante desse cenário, foi criado em 2026 um grupo de trabalho no âmbito do Fórum Pix, com participação de associações representativas do sistema de pagamentos. O objetivo é avaliar alternativas para preservar a finalidade original do recurso e a experiência dos usuários.

Após a conclusão das discussões, o Banco Central poderá avaliar a necessidade de estabelecer medidas regulamentares para impedir ou restringir o uso inadequado do campo de mensagens.

Alertas de golpe podem ganhar padrão nacional

Outro tema em avaliação pelo BC é a forma como as instituições financeiras alertam os clientes sobre possíveis golpes durante uma transferência via Pix.

Algumas instituições já utilizam mecanismos próprios para identificar operações consideradas suspeitas e apresentar alertas ao usuário antes da conclusão da transação. Atualmente, porém, os critérios e formatos dessas comunicações podem variar entre as instituições.

O Banco Central informou que discute o assunto com o mercado dentro do Fórum Pix. A intenção é estabelecer uma experiência mais uniforme para os usuários.

Entre as possibilidades está a definição de critérios mínimos para a emissão dos alertas e padrões para o envio das mensagens aos clientes. A eventual padronização ainda depende das discussões e das medidas que vierem a ser adotadas pelo BC.

Contestação de Pix já pode ser feita de forma simplificada

O relatório também destaca mudanças relacionadas à segurança e à contestação de transações. Desde outubro de 2025, as instituições financeiras passaram a disponibilizar uma funcionalidade que permite contestar determinadas operações por meio de um botão específico.

A ferramenta foi criada para facilitar o processo de contestação e reduzir a necessidade de interação humana para iniciar o procedimento.

A medida integra o conjunto de mecanismos desenvolvidos para tratar situações de fraude e golpes envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos.

A evolução dos mecanismos de segurança ocorre paralelamente à expansão do Pix e ao aumento do volume financeiro movimentado pela ferramenta.

O que as mudanças podem significar para empresas

A expansão das funcionalidades do Pix amplia o número de situações em que o sistema pode ser incorporado às rotinas financeiras das empresas.

As possibilidades de novas modalidades de cobrança, pagamento de duplicatas e integração com mecanismos relacionados à Reforma Tributária podem exigir acompanhamento por áreas financeira, fiscal e contábil.

Empresas que utilizam o Pix como meio de recebimento também precisam acompanhar as mudanças relacionadas à segurança e aos mecanismos de contestação, principalmente diante da evolução dos procedimentos adotados pelas instituições financeiras.

Enquanto algumas funcionalidades já estão disponíveis, outras permanecem em desenvolvimento ou em fase de discussão no Banco Central. Por isso, a implementação efetiva de cada novidade dependerá da evolução dos projetos e das eventuais regulamentações publicadas pela autoridade monetária.

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