A Dívida Pública Federal (DPF) chegou a R$ 9,293 trilhões em agosto, uma alta de 0,04% em relação a julho, quando o estoque estava em R$ 9,289 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (28).
Apesar de o Tesouro ter realizado resgate líquido de R$ 84,43 bilhões em títulos no mês, a incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros ao estoque impediu uma redução da dívida.
A parcela da dívida vinculada à taxa Selic também atingiu um novo recorde. Os títulos remunerados por taxas flutuantes passaram de 51,11% em julho para 52,74% em agosto, maior percentual da série histórica iniciada em dezembro de 2000.
Dívida interna e externa
A maior parte da dívida pública está concentrada no mercado interno. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) recuou 0,05% em agosto, encerrando o mês em R$ 8,944 trilhões.
Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 2,41%, para R$ 348,26 bilhões. Do total, R$ 299,70 bilhões correspondem à dívida mobiliária e R$ 48,56 bilhões à dívida contratual.
Na composição da DPF, os títulos vinculados à Selic representavam 52,74% do estoque. Outros 23,22% estavam atrelados a índices de preços, enquanto os títulos prefixados correspondiam a 20,31% e os cambiais, a 3,74%.
Participação da Selic
O avanço da participação dos títulos atrelados à Selic ocorre pelo segundo mês consecutivo. Em julho, esses papéis representavam 51,11% da dívida, depois de 49,32% em junho.
O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 prevê que a participação dos títulos vinculados à taxa Selic fique entre 49% e 53% até o fim do ano. A faixa foi revisada pelo Tesouro, que anteriormente estimava uma participação entre 46% e 50%.
A maior exposição a títulos de taxa flutuante aumenta a sensibilidade do custo da dívida às variações dos juros, já que a remuneração desses papéis acompanha a taxa Selic.
Prazo e custo da dívida
O prazo médio da Dívida Pública Federal passou de 4,05 anos em julho para 4,10 anos em agosto. A parcela da dívida com vencimento em até 12 meses também recuou, de 18,91% para 16,39%.
O custo médio acumulado em 12 meses, por sua vez, passou de 12,45% ao ano para 12,59% ao ano entre julho e agosto.
Reserva de liquidez
A reserva de liquidez do Tesouro Nacional, conhecida como colchão da dívida, caiu 11,89% em agosto, passando de R$ 1,371 trilhão para R$ 1,208 trilhão.
Apesar da redução, o volume é considerado suficiente para cobrir aproximadamente 7,18 meses dos vencimentos da dívida, segundo o Tesouro.
Investidores estrangeiros
A participação dos investidores estrangeiros no estoque da dívida interna aumentou de 9,82% em julho para 9,91% em agosto. Em valores nominais, o estoque de títulos em poder de não residentes passou de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões.
As instituições financeiras continuam como os principais detentores dos títulos públicos, com participação de 31,22% do estoque. Na sequência aparecem os fundos de investimento, com 22,52%, e a previdência, com 22,63%.
Previsão para 2026
O Tesouro Nacional mantém a projeção de que a Dívida Pública Federal termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Segundo o órgão, a composição da dívida é influenciada pelo cenário de juros e pelas condições do mercado. A expectativa é de redução gradual da participação dos títulos de taxa flutuante caso o país volte a registrar superávits primários de forma estrutural.
Com informações do Tesouro Nacional, Folha de S.Paulo e Jornal do Comércio.














